Reflexão sobre fraldas, fraldários e afins

Nos últimos tempos tenho reparado que quando existe uma casa de banho especial para mudar fraldas a bebés, o símbolo utilizado é sempre o da mulher. Caso não exista uma casa de banho específica para esta necessidade, regra geral, é na casa de banho das mulheres que se encontram os fraldários. Muitas das vezes estas ainda são partilhadas com os utentes com deficiência. Como se uma única casa de banho fosse suficiente para tantas necessidades (nem quero pensar o que acontece se tivermos uma mulher aflita, com um bébé ao colo que necessita mudar a fralda, e uma pessoa em cadeira de rodas que ainda está mais aflita que a mãe e o bebé juntos). Como se só as mulheres mudassem as fraldas dos bébés. Inviabilizando a capacidade parental para os progenitores/cuidadores do sexo masculino (nem imagino o que têm de inventar – ou como farão – os homosexuais que são pais e que não podem entrar pela casa de banho das mulheres) e dizendo-lhes claramente: não, tu não podes mudar a fralda ao teu bebé.

O número de vezes que reparei nesse pormenor foi de tal forma grande, que fiquei a pensar se este seria o ícone universal para sinalizar um fraldário. Não. O símbolo existe com representação de ambos os sexos. Melhor ainda: existe um ícone para fraldário com um bebé. Este último parece-me o melhor e o que devia ser utilizado. Lamento que em Portugal se persista em colocar aquele que enverga um vestido, perpetuando a ideia de que os cuidadores das crianças são sempre, e só, as mulheres.

Bem, já não é mau se existir um fraldário. Na verdade é raríssimo que assim seja. Especialmente em restaurantes. Acima de tudo porque a sociedade acha que pais com bebés não devem almoçar fora de casa. A criança grita e é incómoda. Lamentavelmente os restaurantes não têm fraldários. E os pais de bebés de fralda, também são pessoas e também gostam – e talvez serão os que mais precisam! – de ir almoçar fora.

Depois de refletir sobre fraldas, fraldários e afins, senti-me aliviada. Ainda bem que a minha filha já tem 4 anos e já não temos que lhe trocar a fralda. Não foram tempos fáceis e as caras solidárias nas mesas dos restaurantes foram quase nulas. Tal como os fraldários.

Lúcia Vicente

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