Não é o TPM, são estas merdas.

Se a cada hora, três mulheres apresentam queixa por violência domestica em Portugal, quer dizer que só nesta semana em que o assinalámos o dia internacional pela eliminação da violência contra a mulher, foram 504.

Neste pedaço de terra, conquistado à pancada por Afonso Henriques à sua mãe, cinco mulheres são vítimas de atos violentos, por mês e três acabam por morrer às mãos dos seus agressores. – três acabam por morrer às mãos dos seus agressores.

Em 15 anos morreram mais de 500 mulheres em contexto de intimidade e 618 escaparam à morte tentada. Só este ano, já foram assassinadas 28 mulheres e 27 escaparam. Nos incêndios de 2017 morreram mais de 100 pessoas, e aqui são 5 vezes mais vidas ceifadas. É praticamente o número de habitantes da freguesia de Castro Laboreiro em Melgaço e o dobro de pessoas que existem na freguesia de Proença a Velha em Castelo Branco. E podia ser nova, dado que a maioria das vítimas são casadas, têm filhos e têm entre os 26 e os 55.

A violência doméstica – física, psicológica, sexual, financeira – é curiosamente transversal como o a discriminação de género: abrange vítimas de todas as condições e estratos sociais e económicos. É como aquela tia que nos está sempre a perguntar quando é que nos casamos. Há em todas as famílias e nós fazemos sempre de tudo para nos sentarmos na outra ponta da mesa.

Se as mulheres se empoderam, se temos mais a apresentar queixa como é que da justiça à polícia, não temos quem nos proteja? Estão a matar-nos! É quem apresenta queixa que tem de sair de casa. Não há casas abrigo suficientes. As crianças expostas não têm o estatuto e o acompanhamento desejado. São as penas suspensas e os acórdãos de pinturas rupestres. É sentirmo-nos culpadas porque não é só a nódoa negra que sai à rua, é a vergonha também. É justificar com “ele era mesmo apaixonado por ela” ou “tu também provocas” e mais ainda o silêncio cúmplice da comunidade para camuflar a época de caça furtiva que está aberta há tempo de mais.

Temos de dar condições às mulheres para não morrerem se ficam e também para não morrerem se vão.

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#PortugalContraAViolência

 

“É femicídio, impunidade para o meu assassino. É o desaparecimento. É violação. E a culpa não era minha, nem de onde estava, nem do que vestia. O violador és tu”. Pelo colectivo feminista Lastesis (https://instagram.com/lastesis)

 

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