For Dummies

unsplash-logo
Simone van der Koelen

Os óculos do feminismo são em muito semelhantes aos óculos da ecologia: quando se começa a ver por eles, é difícil desver. A partir do momento em que se começa a ter uma certa preocupação com desperdício e sustentabilidade, percebemos a quantidade de coisas que estão desnecessariamente embrulhadas em plástico (saquinhos, embalagens, celofanes, embrulhos de toda a sorte… nunca ninguém teve o come to Jesus moment de “se ao menos houvesse uma maneira de proteger esta laranja de contágio e danificação… oh, espera, ela tem uma casca dura!”). E a quantidade de coisas que vêm embrulhadas em sexismo (ou, pelo menos, são desnecessariamente diferenciadas por género)? Sexismo: também está em todo o lado, também faz mal ao planeta. Não sei se é biodegradável.

Um exemplo que muitas pessoas vêem, talvez sem ver, todos os dias: a embalagem da pílula. Cada comprimidinho com o dia da semana escrito em cima, em alguns casos com setinha. Ora, eu sou aquela pessoa que se esquece de muitas coisas: esqueço-me de onde deixei o carro (a sério, neste momento não sei onde ele está, é possível que nem o tenha trazido), e se alguma vez nos conhecermos, car* leitor*, vou imediatamente esquecer-me do teu nome, construir frases barrocamente longas para evitar usá-lo e , finalmente, vou chamar-te “Ana”, independentemente da tua expressão de género. Mas o dia da semana em que estamos? Curiosamente, sou capaz de me lembrar disso. E de tomar um comprimido uma vez por dia? Mais ou menos como comer, lavar os dentes, ou ver a Netflix: não preciso de terapia cognitiva comportamental para o fazer diariamente. De certeza que há uma resposta muito óbvia para isto, mas… porquê? Porque é que a pílula não vem em frasquinhos de vidro (solução mais amiga do ambiente que pouparia uma lâmina e uma embalagem de plástico)? Frasquinhos que podiam ter etiquetas cómicas, como aqueles frasquinhos de doces que algumas pessoas (não eu, eu nunca faria isso) compram à pressa como presente de anos mesmo antes de irem para o jantar (mas eu não), que podiam ser personalizadas e dizer coisas como: “efeitos secundários incluem libertação sexual” ou “parte de uma dieta sexual equilibrada”, ou pirosadas tipo “previne a conceção mas não a paixão” ou “keep calm and carry on”, ou coisas passivamente autoirónicas tipo “está cheio de hormonas mas a Madonna também”… não era mais giro? Pois era. (Tudo eu, tudo eu…)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s