A palavra T, de Tinder

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Aposto que se fizessem um remake do Sex and the City iríamos ver as nossas 4 amigas, ou pelo menos uma delas, a usar o Tinder ou uma app do género e a comentar com as amigas como estava a correr, enquanto juntas faziam uns quantos swipes, se riam de bios e de fotos de rapazes em tronco nu, ao lado das suas viaturas, por exemplo.Uma das coisas maravilhosas dos nossos tempos, para além da internet, é esta interconectividade e as infinitas possibilidades que as aplicações e os dispositivos móveis nos permitem.
Posso encomendar a lista toda do super, marcar consultas, transcrever automaticamente o que estou a dizer agora mesmo e helás, depois de uns swipes e umas mensagens, até planear um serão de sexta animado.
As dating apps existem para nos pôr a ter dates, é só isso.
O que fazem nesses dates tem só a ver convosco e o(s) vosso(s) par(es).
Se não quer dizer não, também podem nessa conversa com o match dizer que não vos apetece levá-los para casa/cama/sofá/whatever.
Se por outro lado ,não estais numa de romance, by all means, expliquem isso e vejam a reacção.
A verdade é que as dating apps são jogos de expectativas de parte a parte, e uma das coisas mais comuns nos homens e mulheres é o disclaimer ‘no ONS’ (one night stand).

Por outro lado, e no campeonato da segurança e da partilha de experiências, preciso de elogiar uma app chamada Coffee Meets Bagel (Experimentei e tem para aí 10 pessoas em Lisboa. Esqueçam ou então chamem amigas/os para brincar.)
No CMB depois do registo, recebemos um email a falar sobre a app e sobre as estratégias mais seguras de marcar encontros – sim, há coisas a dizer sobre ir ter um encontro com um estranho e por isso a app dá uma ajudinha.
Aconselha que digamos quem é a pessoa e onde vamos, a alguém da nossa confiança, por exemplo. Aconselha que marquemos um primeiro encontro num local público, que não forneçamos dados pessoais (como onde trabalhamos/estudamos).
As apps facilitam processos de conhecer pessoas novas e fora dos nossos círculos, podem ser frustrantes por vezes, MUITAS vezes. Mas também são fonte de muitas risadas e podem fazer-vos conhecer gente nova e interessante, independentemente do que vai acontecer entre vocês.
Como foi um disco pedido, listo abaixo algumas delas:

– Tinder – a rainha delas todas – swipe, match e conversa aberta. Tem imensos utilizadores e é a mais usada mundialmente.
– Happn – é geo-localizada e permite saber quem passou por nós, é divertida no sentido em que permite que aguardemos por passar outra vez por aquela pessoa para finalmente dar um like – serve também, por exemplo, para procurar aquela pessoa gira que estava a jantar ao nosso lado no outro dia;
– Ok Cupid – depois de algumas respostas a um questionário a app sugere perfis de acordo com a compatibilidade destas respostas, não a achei particularmente interessante mas conheço muito boas reviews;- Bumble – funciona de modo similar ao Tinder mas tem um detalhe particular: é sempre a mulher que tem de iniciar uma conversa, senão o match expira em 24 horas;
– Coffee meets Bagel – é a versão mais gamificada que conheço – o que a torna divertida e nos protege de passarmos a vida a ir lá – uma vez por dia sugere X perfis, aos quais podemos ou não fazer like – e com os quais podemos ou não fazer match (valeria a pena se não estivesse ainda tão pequena em Portugal).

E o que é que isto tudo tem que ver com feminismo?

Olhem, não sei bem, mas sei que tenho amigas que perguntam ‘se o tinder não é só para coisar’. E outras que me dizem que ‘não têm dessas apps por vergonha’.
Melhor ainda, há homens que afirmam que têm vergonha de lá estar.

Sim, porque estar single and searching é mau. Porque, por algum motivo, procurar conhecer pessoas numa aplicação é um bocadinho o final da linha para muito boa gente.

Suponho que ainda somos muito ‘modestxs’ e preferimos conhecer pessoas quando estamos alcoolizadxs em discotecas, ou abordar/ser abordadxs no instagram, facebook ou outra app ‘mais legit’ ou generalizada. Suspeito até que estes julgamentos estejam bastante enraizados em ideias de bela, recatada e do lar, de princesa que não deve procurar o que quer e merece. Os mesmos preconceitos que colocam tantas mulheres em relações abusivas e em situações insatisfatórias. ‘Porque parece mal.’

As apps não definem nada sobre nós, são só ferramentas. Se querem coisar coisam, e se querem ser felizes e ficar juntos para sempre também, porque não?
E é como digo muitas vezes em discursos evangelizadores: quanto mais pessoas fixes, melhor vai ser a experiência 😉

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