Joga como uma pessoa numa equipa mista!

No domingo fomos assistir ao jogo de futsal do nosso primo, que joga nos escalões infantis de Sousel. É sempre uma animação e um bom momento em família. Já tinha sido surpreendida, em outros jogos, com uma equipa feminina que jogou contra a equipa dele, composta apenas por membros do sexo masculino. Só não fiquei mais impressionada, porque a média de diferença de idade entre as equipa era grande: as miúdas tinham em média 11/12/13 anos e os miúdos 9/10 anos. Ainda assim pensei que era um grande passo. Fiquei contente e a pensar que, pelo menos, no desporto estamos a caminhar bem.

Este domingo foi ainda melhor. Não só havia uma equipa mista, em que as raparigas jogaram tão bem como os rapazes (o que me faz pensar que se dermos as mesmas oportunidades e exigirmos o mesmo, independentemente do género, é possível alcançar o mesmo nível), como –  pasmem-se! – em campo estava uma árbitra. Fiquei felicíssima e orgulhosa desta malta. Percebi, também, que as equipas mistas no futsal são mais normais do que o que eu imaginava, pelo menos até determinado escalão. Que bom! Que boas notícias.

Numa região em que existem papéis muito bem definidos, embebidos da norma patriarcal e tradicionalista banhada de um fervor católico muito presente no dia-a-dia (ainda que, felizmente, existam alguns casais na minha aldeia que são excepção e já encaram as questões de género de forma diferente), em que a educação dada às crianças ainda passa pela dicotomia tradicional do azul/rosa e carro/boneca, em que às vezes parece que estamos na década de 1950, tomar consciência de que estas raparigas, as suas equipas, xs treinadorxs, xs educadorxs, as federações e clubes desportivos, estão a quebrar preconceitos e a mudar mentalidades através do desporto – é um passo gigante os pais destas raparigas aceitarem o seu gosto por um desporto que sempre foi predominantemente masculino e é um contributo para mudar mentalidades muito maior do que o que se possa imaginar! – faz-me ter esperança e compreender que aos poucos, mesmo na província, mesmo em sítios em que não se questiona muito a normativa, xs jovens vão mudando mentalidades e abrindo portas para a mudança e para uma sociedade mais igualitária, mais justa, mais feminista.

Depois de semanas só com notícias escabrosas, pejadas de retrocessos, carregadas de velhos tempos, entre saudações nazis aos som do hino nacional e várias pessoas espancadas, onde só me vinham à ideia horizontes tenebrosos, assistir a este jogo foi uma pausa maravilhosa para descobrir uma brisa de ar fresco de esperança e contentamento: que continuem as equipas mistas de jogadores, treinadores e árbitrxs.

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