antes só que mal amanhada

Tens 35 anos, tens pouco tempo. Tu não queres acabar sozinha.

Talvez eu não soubesse o que é single bashing ou single shaming até ontem. Já estava habituada à coisa em família. Já tinha um pouco essa sensação em alguns círculos de trabalho ou amizade. Mas não deste modo. Não do modo que o li. Não do modo que o senti. Como se todo o trabalho emocional que tive até hoje valesse nada, porque eu não tenho um filho. E porque assim vou acabar sozinha.

Uma pesquisa no Google não me disse muito, para além de que, efectivamente, há mais Millennials a aceitar ‘outros’ estilos de vida. Que não se importam de viver sós, que vivem carreiras bem-sucedidas e que o casamento e a procriação não fazem, invariavelmente, parte dos seus planos. No entanto, os mesmos artigos deixam ver que o shaming existe, e se tem vindo a manter.

Eu de todo quero ser um ser humano que terá filhos para se cumprir ou para não acabar a vida sozinha. Porque ‘acabar’ sozinha e bem ou feliz comigo, parece-me muito mais satisfatório do que arranjar alguém para procriar e viver a vida em torno de uma projeção que criaram para mim.
Eu não sei se quero nem sei se vou ser mãe e não acredito de todo que viverei uma vida mais ou menos completa se tiver ou não um filho. Lamento mas não acho que as respostas existenciais possam ser depositadas na ideia de ter um filho para cuidar de mim quando for velha.
Nem muito menos acredito em arranjar um ‘homem bom, que seja um bom pai’. Eu passo bem e sou feliz sozinha. Isso não é um estado temporário. É perene. É antes de tudo o mais, viver bem comigo.

E acabo com uma citação, que o explica bem melhor do que eu poderia. E que explica também quão necessária é esta mudança de mentalidade:

When people call single women selfish for the act of tending to themselves, it’s important to remember that the very acknowledgment that women have selves that exist independently of others, and especially independent of husbands and children, is revolutionary. A true age of female selfishness, in which women recognized and prioritized their own drives to the same degree to which they have always been trained to tend to the needs of all others, might, in fact, be an enlightened corrective to centuries of self-sacrifice.

in ‘ALL THE SINGLE LADIES: Unmarried Women and the Rise of an Independent Nation’ By Rebecca Traister, 2016.

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instagram.com/agraziela

 

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