Gosto de me vestir como um homem: II

Dia do segundo de um conjunto de 10 poemas. Imaginem que a mulher que os escreve é uma mulher que vive na década de 1920, numa pequena aldeia do interior alentejano. O resto a seu tempo virá.

II

Frio. E que frio.

O frio. E que frio.

Este frio

e as mão geladas que nos fazem

não saber manusear os dedos.

Minguar à mingua do teu sexo.

Sem calor, não se vive.

Sem paixão, arrefece-se.

E o fogo dessa lareira 

que teimosamente 

retarda a dureza que se avizinha.

Sem calor, não se vive.

Sem paixão, morre-se.

A dureza dessa tenaz luzidia e forte,

que penetra por entre as chamas sem se perder.

Que penetra por entre as brazas

e faz-me tremer.

E faz-me gemer.

Sem calor, não se vive.

Sem paixão, morres-me.

E volta o frio.

E fica para sempre.

 

Para o primeiro poema basta clicar AQUI.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s