o date mensal

Menstruei cedo, antes das colegas todas. Carregada de vergonha, ainda a brincar com barbies, e já atrapalhada com pensos escondidos e férias em sofrimento atroz.
Tenho o período todos os meses há mais de um quarto de século, fizemos bodas de prata em dezembro passado. Essse será sempre aquele dia triste em que o meu pai, em tom de troça (ou se  calhar carinho), me disse: parabéns, já és uma mulherzinha.
Não sei se chorei tanto por rapazes como chorei nessa tarde, ponto sem retorno, este date mensal, este incómodo, esta vergonha sem ter a quem culpar.

Há uns dias pedi um brufen no meu local de trabalho, e como em tempo de covid todas as maleitas merecem escrutínio, vi-me obrigada a dizer alto que estava bem, que era só o período. A sala gelou. E eu por um segundo quis gritar muito alto: SIM O PERÍODO, deixem-me sangrar em paz.

Depois deste episódio fiz um túnel de pesquisa sobre period-shaming e encontrei o trabalho bonito da THINX sobre quebrar com os preconceitos, a vergonha e o impacto ambiental dos nossos periodos pelo caminho.

Perece que o denominador comum em tudo isto é que precisamos de acabar com este estigma , temos lá culpa de estar a sangrar. Pelo contrário, creio que temos até de usar mais vezes a palavra período, para que as próximas falem mais dele, o normalizem. Para que as próximas não ouçam um risinho quando dizem que o têm, que lhes dói a barriga ou se sujarem por causa dele.

Deixo-vos, adicionalmente, a série da Rupi Kaur sobre o período e o texto que a acompanha que diz tanto. Especialmente depois de a imagem ter sido banida duas vezes pelo Instagram:

thank you @instagram for providing me with the exact response my work was created to critique. you deleted a photo of a woman who is fully covered and menstruating stating that it goes against community guidelines when your guidelines outline that it is nothing but acceptable. the girl is fully clothed. the photo is mine. it is not attacking a certain group. nor is it spam. and because it does not break those guidelines i will repost it again. i will not apologize for not feeding the ego and pride of misogynist society that will have my body in an underwear but not be okay with a small leak. when your pages are filled with countless photos/accounts where women (so many who are underage) are objectified. pornified. and treated less than human. thank you. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀ ⠀
⠀⠀⠀ ⠀
this image is a part of my photoseries project for my visual rhetoric course. you can view the full series at rupikaur.com the photos were shot by myself and @prabhkaur1 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀ ⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀ ⠀
i bleed each month to help make humankind a possibility. my womb is home to the divine. a source of life for our species. whether i choose to create or not. but very few times it is seen that way. in older civilizations this blood was considered holy. in some it still is. but a majority of people. societies. and communities shun this natural process. some are more comfortable with the pornification of women. the sexualization of women. the violence and degradation of women than this. they cannot be bothered to express their disgust about all that. but will be angered and bothered by this. we menstruate and they see it as dirty. attention seeking. sick. a burden. as if this process is less natural than breathing. as if it is not a bridge between this universe and the last. as if this process is not love. labour. life. selfless and strikingly beautiful.

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Foto por Prabh Kaur e Rupi Kaur retirada deste post: https://www.instagram.com/p/0ovWwJHA6f/?igshid=5jv75bwdju7a

 

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